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Decisões Clínicas - Sono no Idoso

Ferramenta Auxiliar do Sono (Geriatria)
GeriCalcs
Painel interativo para raciocínio em insônia do idoso: padrão da queixa, fatores geriátricos e alinhamento dinâmico de melatonina, ramelteona, doxepina baixa dose, trazodona, mirtazapina e hipnóticos clássicos.
1. Padrão principal da queixa de sono
Clique no padrão que melhor representa o problema atual.
2. Fatores geriátricos relevantes
Use os chips abaixo para marcar o contexto clínico. Isso recalibra o painel.
Perfil do sono do idoso (atualizado em tempo real)
Selecione um padrão de insônia e fatores clínicos para que o painel abaixo seja ajustado ao caso.
1ª linha sugerida
Opções com cautela
Geralmente evitar
Associações possíveis em geriatria (quando necessário)
Combinações abaixo são sugestões gerais baseadas em evidência leve/moderada e prática clínica, sempre subordinadas à avaliação individual, à prioridade de medidas não farmacológicas e às diretrizes de segurança em idosos.
3. Fármacos – painel detalhado
Os cards abaixo são reordenados de acordo com o perfil. O selo e a barrinha indicam o quão alinhado cada fármaco está ao cenário atual, sempre sob a ótica da geriatria.
Melatonina (liberação imediata / prolongada)
Resumo: em muitos idosos é uma das primeiras opções farmacológicas quando necessário, especialmente em insônia inicial ou distúrbios de ritmo sono-vigília, com perfil de segurança globalmente melhor que hipnóticos GABAérgicos.
Associações possíveis: pode ser combinada com higiene do sono / TCC-I e, em insônia de manutenção, com doxepina 3–6 mg (quando disponível e apropriada).
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Classe/mecanismo: cronobiológico, agonista de receptores de melatonina (MT1/MT2).
  • Reduz latência para iniciar o sono; formulações de liberação prolongada podem ajudar modestamente na manutenção.
  • Perfil de dependência diferenciado em relação a benzodiazepínicos/Z-drugs.
  • Útil em institucionalizados e em inversão de ciclo sono-vigília.
Cautela: eficácia moderada; usar menor dose eficaz (ex.: 1–3 mg) e reavaliar periodicamente.
Notas em geriatria: combinar sempre com higiene do sono e, quando disponível, TCC-I; evitar perpetuar uso automático de longo prazo.
Ramelteona
Resumo: agonista seletivo de melatonina voltado para insônia inicial, com bom perfil de segurança em idosos, porém com disponibilidade/custo limitantes no Brasil.
Associações possíveis: frequentemente usado isolado; associações são mais conceituais, com foco em medidas não farmacológicas.
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Pontos fortes: latência de sono menor, baixa interferência na arquitetura, baixa probabilidade de dependência.
Limitações: efeito modesto, acesso restrito e custo elevado em muitos contextos.
Notas em geriatria: quando disponível, é opção em insônia inicial de idosos com alto risco de quedas, demência ou polifarmácia psicoativa.
Doxepina baixa dose (≤ 6 mg)
Resumo: em doses de 3–6 mg, é uma das medicações com melhor evidência para insônia de manutenção em idosos, com mínima carga anticolinérgica nessa faixa.
Associações possíveis: pode complementar melatonina (IR ou LP) quando o foco é reduzir despertares noturnos, sempre respeitando contra-indicações cardiovasculares e anticolinérgicas.
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Notas farmacológicas: em baixa dose, age principalmente como anti-H1; doses maiores recuperam perfil de tricíclico com efeitos anticolinérgicos relevantes.
  • Melhora despertares noturnos e tempo total de sono em estudos com idosos.
  • Dose usual em geriatria: iniciar com 3 mg; pode-se ajustar até 6 mg.
Observação Brasil: formulação específica para insônia foi descontinuada; na prática, depende de prescrição manipulada.
Trazodona (dose baixa para sono)
Resumo: muito usada na prática para insônia quando há humor deprimido/ansioso, porém com risco relevante de hipotensão ortostática, síncope e quedas em idosos.
Associações possíveis: geralmente utilizada como monoterapia sedativa; eventual combinação com melatonina requer ainda mais vigilância para sedação e quedas.
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  • Útil se há objetivo duplo: tratar insônia e sintomas depressivos/anxiosos.
  • Dose baixa noturna (ex.: 25–50 mg) quando o alvo principal é o sono.
Cautela geriátrica: queda de pressão, sedação diurna, hiponatremia, arritmias em suscetíveis. Reavaliar sempre risco de quedas.
Mirtazapina
Resumo: antidepressivo sedativo interessante quando insônia se combina com depressão, perda de peso e baixa ingesta; em outros cenários, o ganho ponderal pode ser desvantagem.
Associações possíveis: em perda ponderal + insônia, pode ser a medicação central; eventual uso conjunto com melatonina é descrito em prática clínica, sempre com monitorização de sedação e peso.
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  • Aumenta apetite e peso; pode ser desejável em idosos frágeis e sarcopênicos.
  • Auxilia sono e humor simultaneamente em quadros depressivos.
Cautela: sedação diurna, tontura, risco de queda; monitorar peso, PA, eletrólitos.
Benzodiazepínicos e Z-drugs
Resumo: em geriatria, costumam ser medicações a evitar para insônia, por forte associação com quedas, fraturas, delirium, piora cognitiva e dependência. Foco é desprescrição gradual.
Associações possíveis: o objetivo não é associar, mas criar um plano estruturado de substituição e desmame, frequentemente usando melatonina e/ou outras estratégias mais seguras como suporte.
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  • Podem melhorar o sono em curto prazo, mas com piora do risco global em idosos.
  • Beers 2023: recomendação de evitar benzodiazepínicos e Z-drugs em idosos com insônia.
Notas em geriatria: foco em desmame estruturado, TCC-I e estratégias alternativas; evitar iniciar novo benzo/Z-drug para queixa de sono em idosos.
Baseado em: AASM Guideline para tratamento farmacológico da insônia (2017); revisões de insônia em idosos; AGS Beers Criteria 2023 para hipnóticos em idosos; evidências de baixa dose de doxepina, melatonina e antidepressivos sedativos em idosos.